terça-feira, 1 de março de 2011

prefixo meta para a falta de linguagem.

Leio de novo e de novo. Como se quem lesse fosse cada um de vocês.
Sinto medo das palavras. Dessas palavras que não. Que se interrompem assim.
Mas as agarro. Agarro para poder soltá-las. Saltá-las todas. E me livrar dessa angústia que é viver em frases – fases – de pontuações rápidas. Incertas.
Ah, se eu pudesse me livrar de medos. Se eu também os saltasse. Se eu pudesse alongar as frases. Se elas fossem intermináveis.
- e se eu pudesse enfim terminar.
Não é como falar rápido. Essa melancolia agressiva. Raivosa. São falas em pausas. São silêncios e recolhimentos.
Cada palavra é pensada. Hesitada.
- ah, se eu pudesse enfrentá-las como gostaria de enfrentar vocês.
Elas são suas. E deles. Não, não as quero pra mim. Elas doem. Escondem-se – todas – nesse silêncio morto.
E escrever é se entregar. Ficar a mercê. Não adotar – nem rejeitar – o descompasso do ritmo. É revelar por omitir. E - enfim - aceitar se perder.

2 comentários:

Pelo presente d´ estar disse...

Muito bom! Gostei. Em olha esse o que vc acha?
http://marcokramer.blogspot.com/2011/03/gordinha-paranoica.html

Bruna Ornelas disse...

é revelar pretensiosamente...